MAR

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29 junho, 2008

Berry - Le bonheur

Berry, é uma nova voz francesa. O seu primeiro álbum Mademoiselle está a causar sensação perante a crítica francesa. Mesmo os mais cépticos lhe dão um voto de confiança para este primeiro trabalho.


le bonheur é o segundo título do álbum.

N'ayez pas peur du bonheur
Il n'existe pas
Ni ici ni ailleurs

Nous allons mourir demain
Ne dites plus rien
Le bonheur conjugal
Restera de l'artisanat local
Laissez-vous aller le temps d'un baiser
Je vais vous aimer

Le trésor n'est pas caché
Il est juste là
A nos pieds dévoilé
Il nous ferait presque tomber
C'est dommage qu'on ne vive
Qu'une seule fois
C'est le temps d'une joie
Qui s'offre, comme vous à moi
Laissez-vous aller le temps d'un baiser
Je vais vous aimer

Un peu de sel dans la mer
Ne changera rien
On s'adore, on s'enterre,
On trouve une main et on serre

N'ayez pas peur du bonheur
Il n'existe pas
Laissez-vous aller le temps d'un baiser
Je vais vous aimer

Lo Còr de la Plana em Sines - 21 Julho



"Lo Còr de La Plana (prononcez "lou couar dé la plane") est un choeur de Marseille, du quartier de la Plaine. Six chanteurs trépidants, accompagnés de percussions (bendirs et tamburello) et de battements de pieds et de mains. Fondée en 2001, la formation s'est adonnée à la re-création systématique du patrimoine populaire occitan, chantant dans une fièvre inégalée tous les répertoires, du plus religieux au plus débridé, du plus répétitif au plus occasionnel, et tout ça, bien souvent, en même temps! Avec cette volonté nouvelle et définitive d'en finir avec le chant traditionnel, d'en découdre avec la musique vocale et la polyphonie, quitte à réveiller ceux qui rêvaient de voir mourir ces dernières dans leurs chapelles. De fait, nos chanteurs vont partout, dans les églises, les usines, les bars ou les théâtres, n'hésitant pas à mêler au paganisme déroutant du vieux fonds occitan les préoccupations des musiciens marseillais d'aujourd'hui. Ils ne renient alors aucune influence, de Bartok au Massilia Sound System, aucune provenance, d'Oran au Rove, n'ayant pour unique prétention que de faire détonner, résonner et déraisonner dans leur musique tout ce que leur ville et le monde alentour leur donne à entendre. Une sirène de police, un nouveau-né, les restes d'un paradis ou d'un fantasme de paradis, une fête trop arrosée, des moutons, des loups, bref, la fureur paisible et enivrante du quotidien! "

LE NOUVEL ALBUM DANS LA PRESSE :

« Lo Còr de la Plana creuse toujours plus profond son sillon (...) il le laboure de part en part, le fertilise toutes ses expériences, pour en bouturer des hybrides fleuries et vivaces. Celles qu’il nomme si justement "chants à danser" »
Jacques Denis


« Du chant traditionnel ? Sans doute, mais franchement davantage. Des chants à danser qui emportent dans une transe souriante, triomphent de tous les blocages corporels ou mentaux. Des ritournelles viriles, pétillantes d’une fraîcheur mutine. Les six lascars de ce choeur d’hommes du quartier de La Plaine, à Marseille, donnent une élasticité salutaire à l’idée de tradition. Ils revisitent le patrimoine populaire occitan, le recréent en y inventant la polyphonie et transgressent l’idée que l’on pourrait s’en faire, lui injectant swing, groove et bonne humeur dissipée. Ils s’accompagnent de battements de mains et de pieds, de bendirs et autres peaux, invitent à l’occasion des amis, dont la fanfare Auprès de ma blonde ou l’ensemble algérien El Hilal. »
Patrick Labesse

21 junho, 2008

17 junho, 2008

Germana Tânger e Álvaro de Campos no Câmara Clara

Domingo, dia 15, a jornalista Paula Moura Pinheiro teve como convidada Germana Tânger, uma senhora de 88 anos, amante e divulgadora da poesia dos nossos grandes poetas. Ela fê-lo com grande à vontade, pois teve o prazer de privar com alguns vultos importantes da nossa literatura, como Almada Negreiros, José Régio, Vitorino Nemésio, entre outros.
O motivo da sua presença no programa "Câmara Clara" só podia ser, óbviamente, POESIA! A Poesia de Fernando Pessoa que comemora os 120 anos do seu nascimento.
Mas o que me leva a destacar este programa, de muitos outros que a Paula Moura Pinheiro nos oferece semanalmente (lamentando que seja divulgado na RTP2 , pois merece um maior destaque pela qualidade do programa e dos seus convidados) foi a emoção da senhora ao dizer o poema que aqui deixo.
Quem ama verdadeiramente a poesia, di-la simplesmente!


Aniversário
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.


Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o eco...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!


O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhaslágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!


Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


in, Poesia, Álvaro de Campos
Assírio & Alvim

14 junho, 2008

Fernando Pessoa - 120 anos



Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935) nasce no dia 13 de Junho de 1988, em Lisboa.

Por razões familiares vai para a África do Sul, onde completa a instrução primária e secundária.

Em 1902, Pessoa inscreve-se numa Escola Comercial. Começa também a escrever poesia, em inglês, sob o nome de Alexander Search.



Em 1903, recebe o Queen Victoria Memorial Prize, como prémio pelo melhor ensaio num exame de admissão à Universidade do Cabo.

Em 1905, interrompe, os estudos universitários e regressa a Lisboa, matriculando-se no Curso Superior de Letras, que não viria a concluir.

Em 1907, começa a trabalhar como correspondente estrangeiro de casas comerciais.

Em 1912, publica três artigos sobre a nova poesia portuguesa na revista A Águia e conhece Mário de Sá-Carneiro, com quem inicia uma correspondência que viria a reflectir os grandes conceitos que marcariam o Modernismo português.
Na altura, nada conseguiu criar. Dias mais tarde, porém, é surpreendido por uma súbita inspiração, escreve mais de 30 poemas a fio e nasce Alberto Caeiro (O mestre).

Surgem depois Ricardo Reis e Álvaro de Campos, discípulos do primeiro. Nasciam assim os mais importantes heterónimos de Pessoa, figuras que, se materializaram em si, e que representam a sua “tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação”. Cada um tem uma biografia, uma vida e um estilo únicos, trazendo, para a literatura, a pluralidade e a fragmentação do eu que marcariam o Modernismo.

Nos anos seguintes, Fernando Pessoa colabora com as revistas Orpheu e Portugal Futurista. Publica ”Chuva Oblíqua”, de Pessoa ortónimo, "Ode Triunfal" e "Ultimatum", de Álvaro de Campos.

Em 1924, Fernando Pessoa dirige a revista Athena, onde edita, pela primeira vez, poemas de Alberto Caeiro e Ricardo Reis.

Em 1929, surge o semi-heterónimo Bernardo Soares, uma "mutilação" da personalidade de Pessoa, como o próprio o define, e autor do Livro do Desassossego.

No dia 1 de Dezembro de 1934 é publicada a obra Mensagem, imbuída, a única, em português, que o autor veria editada em vida.

Em 1935, Pessoa dá entrada no hospital, vindo a falecer no dia 30 de Novembro.

_______________

Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <>
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

12 junho, 2008

Vieira da Silva - cem anos

Maria Helena Vieira da Silva nasceu há cem anos (13/06/2008). Autora de uma obra inovadora, é reconhecida em grande parte do mundo. Casou em 1930 com o pintor húngaro, Arpad Szenes. Viveu em Paris durante muitos anos, onde acabou por morrer em 1992.


Na
Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (FASVS), em Lisboa, foi inaugurada, no dia 5 do corrente mês, a exposição Correspondências.


Cidade à beira-mar / Ville au bord de la mer



7./1980

ao coração da terra desce o luar
pressinto as quilhas dos navios romperem a cinza da manhã

(escrevo um diário
fumo
bebo

aborreço-me)

atravesso o relâmpago esquecido na veia óssea da noite
reconheço o sítio onde os corpos já não se encontram

(estou sentado numa cadeira de lona
olho o mar
é tudo o que sei fazer
olhar o mar e não pensar)

tocámo-nos apesr do que violentemente ficou dito

agora só vens no veludo manchado dos sonhos
pétala mastigada na queimadura da boca
ou quando arrumo as fotografias surges inesperadamente
do fundo da gaveta com o perfume áspero da madeira

anoitece... o ar está impregnado de iodo
um fio de luz define o rosto contra a parede
a cal retém o sussurrar antigo dos corpos
e quando a manhã se aproxima da janela
a memória seca ou dorme para sempre

(a boca
talvez fosse a boca de A. surgindo
sobre a folha de papel
respirando)


ainda continuei a escrever durante alguns dias
sem grande rigor é cert ... uma aranha movia-se nos vidros
a melancolia trepava ao cimo das árvores
assustando os insectos da folhagem e os pássaros
esperei o sono com sua pálpebras vegetais e a paixão
apareceu naquele rosto orvalhado abrindo-se enfim
à contemplação doutro rosto de tinta e de palavras

Al Berto

07 junho, 2008

Venenos de Deus, Remédios do Diabo de Mia Couto


Mia Couto, o autor Moçambicano, publica mais um romance:

"O jovem médico português Sidónio Rosa, perdido de amores pela mulata moçambicana Deolinda, que conheceu em Lisboa num congresso médico, deslocou-se como cooperante para Moçambique em busca da sua amada.
Em Vila Cacimba, onde encontra os pais dela, espera pacientemente que ela regresse do estágio que está a frequentar algures. Mas regressará ela algum dia?
Entretanto vão-se-lhe revelando, por entre a névoa que a cobre, os segredos e mistérios, as histórias não contadas de Vila Cacimba — a família dos Sozinhos, Munda e Bartolomeu, o velho marinheiro, o administrador, Suacelência e sua Esposinha, a misteriosa mensageira do vestido cinzento espalhando as flores do esquecimento
."

Utopia - Museu Berardo


Foi inaugurada no museu Berardo uma mostra fotográfica colectiva que versa sobre arquitectura moderna. Trata-se de uma co-produção com o PhotoEspaña 2008 - XI Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais.

Comissariada por Paul Wombell, a exposição apresenta ensaios fotográficos que abordam aspectos que relacionam o seculo XX com a ideia de utopia ,mas através de visões arquitectónicas.

02 junho, 2008

Morreu Yves Saint-Laurent


Yves Saint-Laurent (Oran, Argélia, 1 de Agosto de 1936 — Paris, 1 de Junho de 2008)
Estilista francês, considerado um dos nomes mais importantes da alta-costura do século XX.
Começou a trabalhar na maison Christian Dior(1954). Fundou mais tarde a sua própria casa, em parceria com Pierre Bergé.
Em mais de quarenta anos de carreira, teve mais de setenta coleções de alta-costura e uma infinidade de produtos que levam a sua marca a todo o mundo. A marca de Yves Saint Laurent é, sem dúvida, o smoking feminino, apresentado pela primeira vez em 1966 com uma blusa transparente e uma calça masculina.

Falando sobre o seu trabalho, Yves Saint Laurent disse que "A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, eu estou aqui."